quinta-feira, 14 de junho de 2012

Nosso Lar - Capítulo 2 (continuação)

Estive analisando o que escrevi sobre o corpo mental e o períspirito e acho que não fui muito clara. Vou tentar melhorar a explicação.

"Crescera-me a barba, a roupa começava a romper-se..."

O livro "O Espiritismo de A a Z" da FEB define o corpo mental da seguinte forma:
“Por revestir todas as camadas do inconsciente, representaria o envoltório da mente ou espírito propriamente dito. Com isso, seria zona divisória entre o mundo espiritual e material”.
Portanto, o corpo mental armazena todas as informações que adquirimos desde a nossa criação.


No livro "Perispírito e Corpo Mental", Durval Ciamponi  completa:
“... o Corpo Mental é a parte imperecível do Perispírito ...”
Em "Perispírito e suas Modelações", Luiz Gonzaga Pinheiro explica a função do perispírito:
"Elaborado desde milhões de anos, nos laboratórios da natureza, o perispírito herdou o automatismo permanente que o mantém atuante, transmitindo ao Espírito as impressões dos sentidos e comunicando ao corpo as vontades deste. Graças a este automatismo perispiritual, o homem não precisa programar-se ou pensar para respirar, dormir, promover os efeitos digestivos, excretar, fazer circular o sangue e os hormônios e um sem número de funções que lhe passam desapercebidas."
Resumindo, o perispírito reflete a programação recebida do corpo mental. Quando há o desencarne, o perispírito continua a executar a sua programação. Por isso, é normal que os Espíritos mais materializados sintam fome e sede, vejam o cabelo crescer e sintam necessidades como qualquer pessoa encarnada. Isto não ocorre com os Espíritos mais evoluídos, pois eles possuem maior domínio sobre o corpo mental e conhecimento de como manipular os fluidos. Afinal, o perispírito é  matéria, embora mais sutil que a matéria do corpo físico.

Em relação às roupas, se André tivesse o conhecimento sobre manipulação de fluidos, ele poderia ter modificado a própria aparência. Kardec interrogou os Espíritos sobre a aparência e a vestimenta dos desencarnados. Abaixo um pequeno trecho do Capítulo VIII do Livro dos Médiuns.
4ª Dar-se-á que a matéria inerte se desdobre? Ou que haja no mundo invisível uma matéria essencial, capaz de tomar a forma dos objetos que vemos? Numa palavra, terão estes um duplo etéreo no mundo invisível como os homens são nele representados pelos Espíritos?  
"Não é assim que as coisas se passam. Sobre os elementos materiais disseminados por todos os pontos do espaço, na vossa atmosfera, têm os Espíritos um poder que estais longe de suspeitar. Podem, pois, eles concentrar à sua vontade esses elementos e dar-lhes a forma aparente que corresponda à dos objetos materiais." 
NOTA. Esta pergunta, como se pode ver, era a tradução do nosso pensamento, isto é, da idéia que formávamos da natureza de tais objetos. Se as respostas, conforme alguns o pretendem, fossem o reflexo do pensamento, houvéramos obtido a confirmação da nossa teoria e não uma teoria contrária.
5ª Formulo novamente a questão, de modo categórico, a fim de evitar todo e qualquer equívoco: São alguma coisa as vestes de que os Espíritos se cobrem?
"Parece-me que a minha resposta precedente resolve a questão. Não sabes que o próprio perispírito é alguma coisa?"
6ª Resulta, desta explicação, que os Espíritos fazem passar a matéria etérea pelas transformações que queiram e que, portanto, com relação à caixa de rapé, o Espírito não a encontrou completamente feita, fê-la ele próprio, no momento em que teve necessidade dela, por ato de sua vontade. E, do mesmo modo que a fez, pôde desfazê-la. Outro tanto naturalmente se dá com todos os demais objetos, como vestuários, jóias, etc. Será assim?
"Mas, evidentemente."

Carmem Bezerra

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